Lembram-se daquelas cassetes verdes dos audio-contos da Disney? É impossível esquece-las! Aposto que 3 em 5 crianças portuguesas ainda detém um tesourinho destes.
Como nunca tive a sorte (leia-se azar) de ter uma colecção dessas, decidi criar a minha própria!
Bem, a verdade é que este ano enveredei pela primeira vez pelo fantástico (ou não) mundo dos contos. A proposta foi feita pelo meu caríssimo professor da cadeira de Técnicas de expressão do português, e dessa, saiu um gatafunho repleto de erros ortográficos. No entanto, só pela piada, decidi transformar aqueles gatafunhos que se vieram a revelar uma atrocidade para toda a língua portuguesa num belíssimo (leia-se amaricado) áudio-conto.
Como irão perceber, introduzi alguns espaços e temáticas que são do meu interesse.
A narrativa desenvolve-se durante a escrita de um livro de memórias, escrito por um soldado que durante a guerra colonial, não disparou um único tiro. Trabalhava como fotógrafo para as forças armadas e na rádio militar do Ultramar, situada no quartel das forças militares portuguesas, o aeródromo-base Nº 7, em Tete, perto do rio Zambeze.
Numa noite, enquanto anunciava o sucesso das tropas portuguesas em Cahora Bassa, na rádio, o soldado profere um discurso anti-colonial. O soldado, que não era visto com “bons olhos” pelo capitão do quartel, por se demonstrar contra o regime, é destacado para a frente de combate. É capturado pelas forças da FRELIMO, ficando encarcerado até ao final da guerra. Quando é anunciada a queda do regime, o soldado é amnistiado durante as conversações de paz e é-lhe dada a permissão para voltar a Portugal. O soldado, porém, pretende ficar em Moçambique por não se identificar com o “país que fez partir os seus filhos”.
A narrativa acaba com um “ponto final” no livro de memórias, pouco antes da morte do soldado, em 2008.
Ao longo do conto, e à medida que a personagem principal se cruza com secundárias, poderão ficar a pensar que sou esquizofrénico. Acreditem, não sou.
Aqui têm o áudio!
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